"O eu é feito de pedaços do outro. Tudo é do outro. Escutar é permitir a presença do outro. O aluno que eu escuto vem morar em mim. A presença do outro me completa."
(Bartolomeu Campos de Queirós)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Competências socioemocionais na educação básica

O Conselho Nacional de Educação (CNE) estuda a implantação de diretrizes que desenvolvam as competências socioemocionais na educação básica. Essas competências, também chamadas de não cognitivas, estão relacionadas a características como capacidade de resolver desafios, inovar, trabalhar em equipe, liderar, entre outras habilidades.

Estudos apontam que tais competências impactam no desempenho dos estudantes nas sala de aula. O CNE é um órgão normativo ligado do Ministério da Educação que recomenda diretrizes para a construção dos currículos da educação básica. Segundo o conselheiro Francisco Cordão, o debate sobre as competências socioemocionais começou em outubro do ano passado na Câmara da Educação Básica e deve continuar até o fim deste ano.

"É uma discussão bastante rica, vamos retomar o debate com os novos conselheiros que serão nomeados e a partir daí vamos tirar o parecer conclusivo", diz Cordão, que participou de um encontro sobre o tema promovido pelo Instituto Ayrton Senna, em São Paulo, nesta terça-feira (9). Segundo ele, o parecer e resolução das diretrizes das competências socioemocionais vão dialogar com as já existentes desde 2010, que definiram as diretrizes gerais para a educação básica e específicas para o ensino fundamental de nove anos, o ensino médio e o ensino profissionalizante de nível médio.

Os conselheiros se reúnem sempre na primeira semana de cada mês. No próximo encontro, em outubro, segundo Cordão, deve haver a posse dos novos conselheiros – cinco dos 12 estão com o mandato vencido, mas dois deles ainda podem participar de uma nova gestão. Por isso, a discussão deverá ser retomada com os novos integrantes e a expectativa é que o tema seja abordado nos encontros de novembro e dezembro.
Para Cordão, é importante que as competências socioemocionais sejam desenvolvidas de maneira interdisciplinar e contextualizada na educação. “Sempre que se fala em desenvolvimento de competência, supõe sempre a capacidade de decidir, corrigir, fazer, resolver desafios, conviver com o inusitado. É nessa perspectiva que se trabalha o desenvolvimento das competências.” O conselheiro condena o desenvolvimento dessas habilidades dentro, por exemplo, de uma disciplina isolada na grade curricular de uma escola. Para ele, esta é uma ação cultural que deve ser pensada de maneira global.
Segundo Anita Abed, psicóloga e consultora que preparou um estudo encomendado pela Unesco sobre o tema em 2013, um dos requisitos para que diretrizes voltadas às competências emocionais sejam aplicadas nas escolas é a formação de professores. "Formação inicial, formação continuada e formação em serviço", explicou ela, afirmando que o embasamento por trás dos conceitos é teórico, mas o treinamento dos professores deve ser prático e contemplar os projetos pedagógicos da própria escola onde trabalham os docentes.
Bem estar dos alunos no Canadá
Fora do país, o desenvolvimento de competências socioemocionais na educação já é realidade, como no distrito de Ottawa-Carleton, no Canadá, que integrou as competências socioemocionais ao seu currículo oficial. Jennifer Adams, educadora que dirige o distrito, que tem cerca de 70 mil alunos disse que, desde 2009, faz parte do projeto pedagógico das escolas "expandir o papel da educação pública para promover também o bem estar dos alunos".

Jennifer afirma que todos os anos os diretores das escolas precisam elaborar planos de como vão garantir esse bem estar nos aspectos físico, psicoemocionais e cognitivos. No ano letivo que começou na semana passada, o desafio dos professores e gestores tem como tema o sentimento de "pertencer". "Toda e qualquer criança que entra pela porta da escola deve sentir que pertence àquele local", explicou ela.

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Fonte:http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/09/cne-estuda-implantar-competencias-socioemocionais-no-curriculo-escolar.html
As competências socioemocionais incluem um conjunto de comportamentos e sentimentos individuais como uma espécie de padrão constante ou tendência de responder de determinada forma em determinados contextos e situações cotidianas, como ao gerenciar as próprias emoções ou tentar atingir um objetivo. Em geral, essas competências podem ser divididas em cinco domínios: Conscienciosidade (expressa em atitudes de responsabilidade, persistência, resiliência e outras), Abertura a novas experiências (presente em comportamentos de curiosidade, criatividade, não ter medo de errar, etc.), Amabilidade (presente em cooperação, por exemplo), Estabilidade emocional (na capacidade de autocontrole e outras) e Extroversão (como sociabilidade). Em todos esses domínios também está presente o chamado Lócus de controle, que é a forma como o indivíduo atribui seu desempenho a si próprio ou a terceiros (incluindo seu autoconceito e motivação, por exemplo).
Como revelam pesquisas científicas nas áreas de psicologia e economia da educação, habilidades socioemocionais são tão importantes quanto as cognitivas (avaliadas por testes de inteligência e conhecimento acadêmico) para a obtenção de bons resultados na escola, e tão ou mais importantes que elas para o sucesso no trabalho e na vida. Por essa razão, formuladores de políticas públicas vêm demonstrando interesse crescente em incorporar ferramentas para a sua avaliação aos esquemas tradicionais de monitoramento escolar. Com o atual projeto, o IAS busca subsidiar a formulação de políticas públicas nessa área e oferecer aos educadores mais instrumentos para acompanhar essa dimensão desde sempre abordada nas escolas.
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